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COITO INTERROMPIDO

maio 17, 2010

Você fez nascer em mim poesias,  que se sinestizaram do que nos foi nos ontens das horas.
Horas que não eram nossas. Mas  a o abarcarmos o espaço-tempo de tua desmesura fez-se lento a nosso a favor.
Palavras que não queria que viesses contigo, cheiros que preferiria não os ter em olor.
Toques que não acompanhasse o despir-se de minha pele, que ainda te tem mesmo que o sinta, ainda que  te negues o cheiro teu que em mim ficou.
Queria-te longe, distante  – olvidar de minhas emoções.
Eras para serdes externo, efêmero e nunca eterno, como o gozo que foi nosso no receio timido de tuas entregas.
Queria-te liquido como me fora e quando me veio. Aborto parido, próposito de um sofrimento que quero matar, antes que me invada, cresça, me tome por inteiro.
Pois se cristalizo-te, faz-se-te Mar, deserto-me água em solidão por esperar.
Se devo arriscar, se deixo rolar, se devo investir ou só observar?
Penso… como tudo isso é gostoso, porém também é tenso!
Não sei dos teus medos… pouco, te conheço o bastante para sentir-te que eu sou teu  perto, que te quero  longe, enquanto me aproximas  o teu mundo meu e seu és distante.
Noites que sempre passam e não interessam a mais ninguém, a quem tem o estranho hábito de não habitar-se de não deixar levar-se e ir além.
Coito interrompido!…
Vontade -ausente? Não! Apenas sem libido, que me prenda um jeito de te sentir não mais apenas como amigo.
Basta-me só um pouco mais de Sol, e derreter-te-ei de mim toda tua poesia, a deixarei  toda ela sem lirismo, sem cor, sem ritmo.
Lembrança sem saudade, imagem sem montagem, sem movimento, um filme sem sentido.
Veio-me sim, como um desejo impreciso, penetrou-me o teu beijo e dissolveu-se  em mim o teu abismo.
Destilar-te d’alma? Ainda não! Arriscarei… observando a situação, para sentir de fato se você está e é o que há dentro do meu coração.
Para M.

 

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Você já me Esqueceu

maio 2, 2010

Vem,
Você bem sabe que aqui é o seu lugar
E, sem você, consigo apenas compreender
Que sua ausência faz a noite se alongar
Vem,
Há tanta coisa que eu preciso lhe dizer
Quando o desejo que me queima se acalmar
Preciso de você para viver

É noite, amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu

Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você

Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu

Você já me esqueceu
Você já me esqueceu

É noite, amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu

Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você

Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu

Você já me esqueceu
Você já me esqueceu

Você não veio amor
Você já me esqueceu.

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Semícapro

janeiro 18, 2010

Um espírito surgiu-me como flores azuis em um bosque de bétulas.
Rompendo a terra como um excessivo vapor vulcânico de idéias.
Nascido da mente de deuses, sozinho e autônomo, todo ele azul dentre o musgo comum, assim me veio.
Inacessível? Misteriosos? Talvez!
Havia uma grande impressão de plenitude que dele, o espírito emanava.
E como um espaço oco cheio de perguntas que as respostas esvaziavam gritando para a existência.
Fazendo cair às folhas vermelho-dourado das bétulas.
Mas o bosque estava fechado…
O eco me olhava e chorava, tentando entrar querendo em mim.
…Não me perturbo!
O espírito ali agora é chumbo, e o azul das flores presente é mudo.
Mundo! Mundo! Mundo!
Porque vomitas todo dia um “Raimundo”?
Há em teu coração uma “Esperança” preeminente que difere de Klint?
Será que furará a pedra a tua água?
Expande-se no bosque uma luz.
Incandescida a densidade nela se traduz.
A flor ali não mais é chumbo. Não mais é azul. E o mundo não é só “Raimundos”.
Na vertigem da velocidade um prisma decompõe a cor. Ganha volume o ordinário.
Transforma aporia em arte.
E no denso bosque de bétulas as flores azuis rompem a terra em toda parte.
Se há em mim ainda agonia de um bastado que não me caiba?
Sim.
Pois sem ela, não inovo e em mim sucumbe a arte.
18/01/2010 á tarde

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janeiro 16, 2010

Dessa janela sozinha

Dessa janela sozinha
Olhar a cidade me acalma
Estrela vulgar a vagar
Rio e também posso chorar
E também posso chorar
Mas tenho os olho tranqüilos
De quem sabe seu preço
Essa medalha de prata
Foi presente de uma amiga
Foi presente de uma amiga

Sobre um pátio abandonado
Profetas nos corredores
Mortos embaixo da escada
Hey, hey, hey mãe isso faz muito tempo
Hey, hey, hey mãe isso faz muito tempo
Hey, hey, hey mãe isso faz muito tempo
Hey, hey, hey mãe isso faz muito tempo

No fundo do peito esse fruto
Apodrescendo a cada dentada
Oh, mãe
No fundo do peito esse fruto
Apodrecendo a cada dentada

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SENTIMENTO INACABADO I

janeiro 13, 2010

És o meu deus-pequenino sem rosto, de tímido sorriso…

Sonso, sincero, de mentiras brandas e traquino!

Andas pelo meu bosque, faz mil travessuras

Machuca minhas rosas, e com os espinhos me fura.

Teus passos: pisos sem destino!

Medicina-sem-cura é paixão em coração de menino.

Abre-me um rio, na margem, me procura.

Faz-se caminho-mundo

Flertam-me cinismos que me depura.

Aquele que me traz o ácido.

Doce – áspero sinestésico depressivo.

O que contém dezoito afetos de inseguro fascínio.

Seja lá o que quis querer que a mim tu me viesses.

Como me veio lhe recebi nos olhos.

E o que ficou em nós foi um afago de teus vestígios.

Doce-macho flor que jaz (em) mim um lirismo,

Ócios de adágios rastros lentos de suspiros.

Ainda não sabes a dor que me causa a falta que faz.

Pois a mensura de tuas vivências não tocou o intimo da Existência.

Cabe uma espera, mas erva no tempo corre.

Pois coração de gente tem pressa para amar até nos sonhos que dorme.

Tempo passa, matando a pele Tempo-Homem.

Amor em suspensão quando não adoece morre.

Manhã de 13 de janeiro 2010

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Pecado Caetano Veloso Composição: Carlos Babr/Pontier Y Francini/Arg-1975

dezembro 15, 2009

Yo no sé si es prohibido
Si no tiene perdón
Si me lleva al abismo
solo sé que es amor

Yo no sé si este amor es pecado que tiene castigo
Si es faltar a las leyes honradas
Del hombre y de Dios
Solo sé que aturde la vida
Como un torbellino
Que me arrastra, me arrastra
A tus brazos en ciega passión

Es más fuerte que yo
Que mi vida, micredo y mi sino
Es más fuerte que todo el respeto
Y el temor de Dios

Aunque sea pecado
Te quiero, te quiero lo mismo
Y aunque todo me niegue el derecho
Me aferro a este amor

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Fala do filme “Do começo ao Fim”

dezembro 15, 2009

– Eu te amo
– E por que você me ama?
– Eu te amo porque você é meu. Eu te amo porque você precisa de amor!
– Eu também te amo!
– E por que que você também me ama?
– Eu te amo porque… para entender o nosso amor ia ser preciso virar o mundo de cabeça para baixo.